Segurança

Contrato de Segurança (C3-SEC): postura, proteção, detecção, resposta a incidentes e validação de controles, articulado com Operação (C2-OPR) e Governança (C1-GOV).

Ambientes lógicos (ciclo de vida)

O contrato de Segurança (C3-SEC) projeta postura, controles e capacidade de resposta sobre as mesmas faixas operadas pelo C2-OPR — desenvolvimento, homologação, pré-produção (quando houver) e produção — com reforço explícito em produção e em conjuntos de dados sensíveis. A matriz de risco, exceções e o que pode existir só em ambientes inferiores são definidos pela Administração com apoio do C1-GOV.

  • Desenvolvimento e laboratórios — controles mínimos de segregação, identidade e código (ex.: revisão de PR, scan SAST/SCA), sem dados produtivos sensíveis.
  • Homologação — controles equivalentes a produção em camadas críticas (autenticação, criptografia, registro), com dados anonimizados ou sintéticos, salvo exceção documentada.
  • Pré-produção, quando houver — espelho de postura de produção, base para validação de mudanças sensíveis e ensaios de resposta.
  • Produção — máxima exigência de hardening, IAM, monitoração, retenção de log, backup testado, RTO/RPO acordados.

Camadas do serviço de Segurança (C3-SEC) e modelo operativo

O contrato de Segurança (C3-SEC) não se organiza em níveis de chamado N1, N2 e N3 como a Operação. Estrutura-se em camadas funcionais que se sobrepõem e se reforçam, de modo a entregar três resultados verificáveis: reduzir superfície, detetar rápido e responder bem. Cada camada tem dono no fornecedor C3-SEC, fronteira clara com o C2-OPR (que executa o que é mudança operacional) e evidência exigida pelo C1-GOV.

Camadas funcionais

CamadaFocoO que entrega (exemplos)
Postura e arquitetura de segurançaDefinir o que precisa estar verdadeiroPolíticas, baselines, security architecture review, padrões de criptografia e segregação, requisitos para mudança e novo serviço.
Proteção e hardeningReduzir superfície e bloquear classes de ataqueEDR, WAF, segmentação, IAM/PAM, MFA, gestão de segredos, criptografia em trânsito e em repouso, regras Cloudflare, controles de AppSec.
Deteção e SOCVer o que está acontecendoSIEM com casos de uso vivos, ingestão de logs, regras de correlação, monitoração 24/7, threat intel, threat hunting, qualidade de alerta.
Resposta (ETIR + SOC)Conter, erradicar, recuperar e aprenderPlaybooks, plantão (on-call), forensics, contenção, erradicação, recuperação coordenada com C2-OPR, RPI (relatório pós-incidente) e melhoria; articulação com ETIR institucional e canais CTIR Gov / CISC Gov.br quando aplicável.
Validação ofensivaProvar que o controle funcionaVulnerability management, pentest, red/purple team, attack surface management, validação contínua de hipóteses de detecção.
Continuidade (BCP/DRP)Sobreviver a evento e voltar ao normalBackup, restauração com evidência, testes de DR, RTO/RPO por serviço crítico, runbooks de retorno.
Conformidade aplicadaHonrar marcos legais e setoriaisPPSI, LGPD, retenção de log, trilhas de auditoria, conscientização e simulação de phishing, apoio a DPO/CISO.

Modelo operativo do C3-SEC

O SOC é o ponto onde o C3-SEC enxerga e age sobre o ambiente em tempo real. Pode adotar:

  • Centralizado 24/7 — turnos próprios, SIEM consolidado, primeira leitura por analista L1 do SOC e escalonamento interno L2/L3 (camadas distintas dos N1/N2/N3 do C2-OPR).
  • Hub e spoke — núcleo SOC central com células regionais para resposta presencial em datacenter, sala segura ou perímetro físico.
  • Follow-the-sun — equipes em fusos diferentes mantendo continuidade do turno; o canal único e a custódia da fila de incidentes não podem se quebrar entre passagens.

O NOC (alarmes operacionais) permanece em C2-OPR e troca handover com o SOC quando o sintoma indica evento de segurança. A ETIR (equipe institucional de resposta) e o SOC do fornecedor C3-SEC articulam a resposta; comunicações externas e coordenação setorial seguem a matriz do órgão, incluindo referências nominais a CTIR Gov e CISC Gov.br quando couber. O C2-OPR executa bloqueio, isolamento e restauração técnica orientados pelo C3-SEC.

Requisitos que o TR e o ANS devem explicitar

  • Cobertura do SOC e tempos máximos de primeiro reconhecimento, contenção e comunicação à Administração, por severidade — parâmetros numéricos no SDR-0016 e no ANS.
  • RTO e RPO por serviço crítico, com testes obrigatórios e evidência de restore bem-sucedido (não basta política; tem que provar).
  • Janela e regra de patch por classe de vulnerabilidade (crítica, alta, média), com priorização em C3-SEC e execução em C2-OPR.
  • IAM/PAM: MFA obrigatório, JIT/JEA quando aplicável, break-glass auditado, rotação e revogação de credencial, ciclo joiner/mover/leaver.
  • Idioma, canal e evidência de incidente no ITSM — o C1-GOV exige consultabilidade para IMR e fiscalização.
  • Confidencialidade e segregação entre fornecedores — o operador de C2-OPR não pode também auditar o próprio trabalho dentro do C3-SEC (vedação do SDR-0001).

Presencial, remoto e teletrabalho

Boa parte do C3-SEC é remoto por natureza (SOC, SIEM, threat hunting, validação ofensiva). Há, porém, momentos presenciais incontornáveis: forensics em estação ou servidor físico, intervenção em sala segura, repasse a auditoria e exercícios conjuntos com a Administração e o C2-OPR. Teletrabalho pode ser a forma como o fornecedor organiza turnos e plantões, desde que haja controle de jornada acordado, confidencialidade reforçada (postos com MDM/UEM e criptografia, integrados ao C2-OPR), substituição de plantonista e canal único de incidente.

Vale a mesma regra do C2-OPR: sem buracos de responsabilidade entre presencial, remoto e teletrabalho. Sempre há um titular do turno, com nome, contato e registro no ITSM.

Trilateralidade C1-GOV ↔ C2-OPR ↔ C3-SEC — quem cobra o quê (visão C3-SEC)

A maturidade do serviço vem de três contratos que se cobram mutuamente, sem subordinação operacional entre fornecedores. O C1-GOV mede e cobra evidência; o C2-OPR opera e mantém disponibilidade; o C3-SEC protege, deteta e responde. Cada um tem visibilidade sobre o trabalho do outro no que lhe compete, e a Administração arbitra.

Abaixo apenas o recorte específico do C3-SEC — o que ele cobra do C2-OPR e o que recebe de cobrança do C2-OPR; a matriz central e a visão governance-centric vivem em Governança.

O que C3-SEC cobra de C2-OPR

  • Aplicação de patches e baselines no prazo definido por classe de risco; sem postergar sem aceite formal.
  • Hardening efetivo (SO, banco, rede, aplicação) e ausência de configuration drift em produção.
  • Segregação e gestão de acessos privilegiados (PAM) coerentes com o desenho do C3-SEC, sem contas compartilhadas ou bypass.
  • Backup testado com evidência de restore dentro do RTO/RPO; sem "backup que ninguém testou".
  • Logs íntegros e enviados ao SIEM no formato e no relógio acordados; sem lacuna silenciosa.
  • Mudança comunicada ao C3-SEC antes de afetar produção; janela respeitada; rollback documentado.

O que C2-OPR cobra de C3-SEC

  • SLA do SOC: tempo de primeiro reconhecimento, qualidade de triagem, redução de falso positivo que sobrecarrega filas operacionais.
  • Playbook usável: instruções claras para que o C2-OPR execute o bloqueio sem improviso e sem risco de quebrar produção legítima.
  • Liberação de regras (WAF, EDR, firewall) quando o impacto operacional for desproporcional ao risco residual.
  • Devolução de credencial PAM e break-glass em tempo hábil, para que o C2-OPR não fique impedido de operar.
  • RPI no prazo, com causa raiz e ações que o C2-OPR consiga implementar, sem ficção técnica.
  • Calendário de DR e exercícios compatível com janelas operacionais e ciclos de negócio.

Vedação de duplo papel

O fornecedor que opera o C2-OPR não pode ser o mesmo que monitora, audita ou avalia o próprio trabalho dentro do C3-SEC, e vice-versa. Isso vale para serviços compartilhados (SIEM, ITSM, CMDB), regras de mudança e leitura de log: o desenho lógico admite acesso de leitura cruzada, mas quem decide a aceitação de risco ou a glosa não é o avaliado. A regra está no SDR-0001 e é controlada operacionalmente pelo C1-GOV em conjunto com a Administração.

PPSI, normas GSI/PR (DSIC) e sub-SDRs do C3-SEC

O PPSI do órgão é a base central de referência para medir aderência e desenhar o TR/ANS. As Instruções Normativas do GSI/PR (ex.: IN nº 1/2020 e IN nº 3/2021) e as Normas Complementares da DSIC completam o arcabouço quando existirem e forem aplicáveis ao escopo. Onde não houver NC aplicável, o contrato deve declarar explicitamente a LACUNA-GSI-DSIC e compensar com requisitos mensuráveis (ver SDR-0015a).

Ordem de citação sugerida no TR/ANS: (1) PPSI medido no período; (2) IN/NC GSI/DSIC aplicáveis; (3) boas práticas de mercado (NIST, CIS, ISO 27001, etc.) como reforço, não como substituto do item anterior.

Sub-SDRs por tema (C3-SEC)

TemaSDRAbrir no site
SOC, detecção, resposta, ETIR, CTIR Gov, CISC Gov.br, RPIsdr-0016avisualizar
IAM, PAM, MFA, JIT/JEAsdr-0016bvisualizar
BCP/DRP, backup, RTO/RPOsdr-0016cvisualizar
Vulnerabilidades, patching, validação pós-patchsdr-0016dvisualizar
Validação ofensiva (pentest, red/purple, ASM, BAS)sdr-0016evisualizar
Conformidade aplicada (PPSI/LGPD, retenção, criptografia)sdr-0016fvisualizar

Regras mínimas do TR — Segurança (C3-SEC)

As regras abaixo materializam exigências do Termo de Referência e do ANS para o contrato de Segurança. A base de contagem e os parâmetros numéricos (cobertura, severidades, tempos, RTO/RPO, retenção) ficam no SDR-0016 e são herdados pelo ANS; o TR fecha categoria, severidade e cláusula. Aqui fixa-se a estrutura mínima que o TR precisa exigir, em paralelo às regras de capacidade do C2-OPR.

SOC e cobertura de monitoração

O SOC é operado em estrutura própria do fornecedor C3-SEC, com turno contínuo 24/7 para detecção e primeiro reconhecimento de evento de segurança. Deve trazer:

  • SIEM com regras documentadas, base de casos de uso vivos, tuning periódico e métricas de qualidade (volume, falso positivo, tempo de triagem).
  • Fontes de log mínimas: identidade, EDR, rede de borda, WAF, servidores e aplicações críticas — com pacto de relógio (NTP), formato e retenção.
  • Threat intel aplicada: ingestão de IOCs e TTPs relevantes, com regras vivas e descarte do que não agrega.
  • Threat hunting programado, com hipótese, escopo, achados e itens de melhoria do detector.
  • Handover ao C2-OPR sempre que houver execução em servidor, rede ou aplicação fora do escopo direto do C3-SEC, com instrução clara e custódia da evidência.

IAM e identidades privilegiadas (PAM)

  • MFA obrigatório em todo acesso privilegiado, remoto e em painel de plataforma.
  • JIT/JEA (just-in-time / just-enough-access) para administração, com janela mínima e aprovação explícita.
  • Break-glass documentado, auditado em tempo real, revisado a cada uso.
  • Ciclo joiner/mover/leaver com SLA — desligamento revogado em prazo curto e auditável.
  • Inventário vivo de contas de serviço; segredos rotacionados; sem credencial em código ou em wiki.

Backup, restore e continuidade

  • Política não basta — o que conta é evidência de restore bem-sucedido dentro do RTO/RPO, em ciclo definido pelo SDR-0016/ANS.
  • Backup imutável ou com proteção contra ransomware (3-2-1-1-0 ou equivalente, conforme TR).
  • DR testado: cenário, escopo, cronograma, indicadores e relatório no ITSM.
  • Runbooks de retorno com nome de responsável e dependências de C2-OPR (rede, banco, aplicação).

Vulnerabilidades e patching

  • Inventário alinhado ao CMDB de C2-OPR; sem ativo "fantasma" fora do alcance do C3-SEC.
  • Priorização por risco em C3-SEC (CVSS + contexto + exposição); execução em C2-OPR dentro da janela contratada.
  • Janela e prazo por classe (crítica, alta, média) no SDR-0016; vencimentos sob risco aceito formalmente pela Administração.
  • Validação pós-patch em amostra; reabertura quando a vulnerabilidade persistir.

Resposta a incidente (ETIR, SOC, CSIRT/IR)

  • Playbook por classe (phishing, conta comprometida, malware em endpoint, ransomware, exfiltração, abuso interno, exposição em nuvem, etc.).
  • Linha do tempo viva no ITSM, com pessoas nomeadas e decisões registradas.
  • Preservação de evidência conforme cadeia de custódia, mesmo quando o tempo aperta a restauração.
  • RPI (relatório pós-incidente) em prazo; ações de melhoria com responsável e prazo, acompanhadas pelo C1-GOV.
  • Comunicação à Administração e a partes interessadas conforme a matriz, sem improviso.

Validação ofensiva

  • Vulnerability management contínuo (scan autenticado e externo); pentest periódico; red/purple team em ciclos definidos.
  • Attack surface management: visão da exposição externa real, com follow-up em C2-OPR quando exigir mudança.
  • Validação de detecção (BAS ou exercícios) para que o SOC não confie em alerta que nunca foi posto à prova.

Conformidade aplicada (PPSI, LGPD, conscientização)

  • PPSI/LGPD: o C3-SEC apoia o desenho de controle, registro de tratamento e respostas a incidente com dados pessoais — norma em SDR-0014.
  • Conscientização: campanhas, simulação de phishing, métricas de exposição comportamental, sem virar teatro.
  • Trilhas de auditoria íntegras, em retenção compatível com o marco aplicável.

Domínios de infraestrutura — Segurança (C3-SEC)

DomínioSegurança (C3-SEC)
NuvemPostura (CSPM), exposição de identidade e dado, segregação de conta, validação de configuração crítica, regras compartilhadas com C2-OPR nas mudanças.
CloudflareWAF, regras de bot, mitigação DDoS, política de cache para conteúdo sensível, certificados, integração com SIEM e revisão periódica de regra.
EndpointsEDR, criptografia de disco, conformidade de postura, DLP onde couber, isolamento e resposta orquestrada com C2-OPR.
RedesColeta de logs (firewall, SD-WAN, AP), segmentação lógica, detecção de tráfego suspeito, validação de regras pós-mudança do C2-OPR.
Servidores e aplicaçõesHardening, gestão de vulnerabilidade, AppSec (SAST/DAST/SCA), revisão de mudança sensível, custódia de log de aplicação.

Disciplinas transversais (ênfase em C3-SEC)

Impressão

Postura de acesso, autenticação no equipamento, criptografia de fila e trilha de auditoria; execução e suporte ficam em C2-OPR, validação em C3-SEC, medição em C1-GOV.

MDM/UEM

O C3-SEC define a postura mínima do dispositivo (criptografia, conformidade, EDR ativo); o C2-OPR opera o ciclo do parque; o C1-GOV mede aderência por equipamento e perfil.

Patch management

Priorização e validação por risco em C3-SEC; execução em janela em C2-OPR; SLA por classe medido em C1-GOV, com glosa quando vencer sem aceite formal.

Self-service

Padrões de segurança nos fluxos automatizados (identidade, aprovação, evidência); catálogo e métricas em C1-GOV; execução em C2-OPR com revisão de C3-SEC antes de ir a produção.

Condição "Sob ataque"

Quando há ataque em curso (ou suspeita fundamentada), a sequência de prioridades não muda; o que muda é o ritmo e a clareza dos papéis trilaterais.

  1. Conter o ataque — bloqueio na borda, isolamento de host, rotação de credencial, interrupção de fluxo.
  2. Preservar evidências — imagem, log, dump de memória, cópia de artefato; cadeia de custódia ativa.
  3. Restaurar serviços críticos — pelo runbook, dentro do RTO/RPO; sem recriar o vetor.
  4. Reduzir superfície de exposição — fechar a porta usada, revisar configuração análoga em outros ativos.
  5. Comunicar e registrar decisões — Administração informada, partes interessadas no fluxo certo, linha do tempo no ITSM.
  6. Pós-incidente — RPI assinado, ações de melhoria com prazo, fechamento controlado pelo C1-GOV.

RACI mínimo durante ataque

AtividadeC3-SEC (Segurança)C2-OPR (Operação)C1-GOV (Governança)Administração
Diagnóstico, triagem e estratégia de respostaR/ACII
Bloqueio em borda, EDR, IAM, firewallARII
Restauração técnica de serviçoCR/AII
Comunicação institucionalCCRA
Aceite de risco e exceçãoCCRA
Linha do tempo, evidência e ateste de temposCCR/AI
RPI, causa raiz e melhoriaR/ACRI

Critério de saída do estado "sob ataque"

  • Vetor encerrado e controle compensatório em vigor.
  • Serviços críticos restaurados dentro do RTO/RPO ou com risco aceito formal.
  • Evidência preservada e RPI protocolado no ITSM.
  • Comunicação concluída conforme matriz da Administração.

Referências